“O importante é o principal, o resto é secundário”

Ninguém seria melhor parafraseado do que Neném Prancha para os inícios dos trabalhos neste novo espaço alvinegro. Sendo óbvia, a afirmação é inquestionável.

Entretanto, o filósofo da bola foi certeiro. O que nos cabe é termos noção do que é o “importante”: o alimento que se come, o ar que se respira, a água que se bebe, espaço onde se vive e o alguém e/ou algo que se ame. É neste último ponto que entra o futebol e a paixão pelo jogo. Ele pode não dar de comer ou de beber, mas nos sentimos famintos e sedentos sem o couro que roça o gramado. De maneira alguma se nos apresenta secundário, pois amamos algo nele: um símbolo, um clube, uma torcida ou simplesmente o jogo: é muito comum todos se encontrarem juntos; enfim, futebol é satisfação.

Ainda que exista este ponto de vista romântico e visceral – o que não posso negar -, devemos realçar os aspectos racionais do jogo: “A razão sem paixões seria quase um rei sem súditos”, diria Diderot, mesmo tendo vivido antes do futebol. Tão importante quanto a vontade de vencer (o sentimento) é saber como vencer (a razão): aí conseguiríamos empregar a sede da vitória a serviço da eficiência. O próprio Neném Prancha nos ensina um pouco mais sobre estes dois aspectos: “Jogador de futebol, tem que ir na bola com a mesma disposição com que vai num prato de comida” refere-se ao primeiro ponto; e “Quem corre é a bola. Senão, era só fazer um time de batedores de carteira” exalta a falta do segundo.

Enfim, Neném Prancha é o elemento mais socrático do futebol brasileiro: botafoguense, como é de se esperar.

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